Não seja o profissional do futuro

[INSIGHTS] Não seja o profissional do futuro

Andando por esta terra de ninguém que é a internet, o que eu mais tenho lido e visto diversos profissionais postando é “seja isso” ou “faça aquilo ou morra” – como se a resposta para esse mundo de mudanças comportamentais que estamos vivendo, amparados pela tecnologia, viesse junto com uma receita de bolo, que se não for seguida… leva a catástrofe.

Não me leve a mal, precisamos sim consumir tudo o que nos ajude a conseguir mais e melhores resultados. O caminho para o desenvolvimento de qualquer negócio também passa por entender o que outras organizações estão fazendo de bom e adaptar para a nossa realidade – e para isso precisamos compartilhar. O que eu quero com esse texto é levar a um outro tipo de reflexão. Vem comigo!

Me dá um curso que eu quero fazer! 

(Essa era eu! Ainda sou, de vez em quando)

Eu também, por muito tempo, busquei entender quais habilidades técnicas eu precisava mapear e moldar para ser a profissional pronta para o futuro, a profissional que toda empresa deseja

E depois de consumir vários conteúdos, fazer uma par de cursos (filha de acadêmica) e conversar com gente muito foda, eis o que descobri – e fique totalmente à vontade para discordar: nós temos mania de querer receita, checklist ou fórmula mágica para ser o que o mercado precisa e vivemos numa eterna cobrança de “surgiu um novo termo/ferramenta/tendência, eu preciso usar ou ficar para trás” (o tal do Fear of Missing Out), mas pouco temos feito para ser uma pessoa melhor.

E no final do dia, essa conta não fecha. E sabe o porque? Porque você pode ter todo o conhecimento técnico do mundo, mas se você não souber compartilhar e se comunicar bem com outros colaboradores, não tiver resiliência e flexibilidade para se adaptar, não oxigenar seu pensamento, você falhará. 

Vou compartilhar dois dados que corroboram o que quero dizer: nove em cada 10 profissionais são contratados pelo perfil técnico e demitidos pelo perfil comportamental, e 75% das pessoas que se demitem, saem do emprego por conta de seus chefes e não pelo trabalho.

No final do dia, de forma bem simplista, Customer Experience se resume a empatia, transformação digital tem a ver com atitude e realização, e inovação com criatividade e ideias novas em ação. Todas tem a ver com habilidades pessoais. E como a gente aprende essas coisas de maneira metrificada?

Seriam as tais hard skill versus as soft skills

Habilidades pessoais

Segundo o Solides, as hard e soft skills podem ser descritas como:

  • Hard skills: são as capacitações técnicas que um profissional pode comprovar por meio de diplomas, certificados de qualificação, testes práticos, cursos, entre outros. É todo o aprendizado que ele adquiriu e que pode ser demonstrado em aspectos físicos ou tangíveis;
  • Softs skills: são habilidades pessoais e intangíveis que um profissional possui e que não podem ser identificadas nem comprovadas por meio de certificações ou cursos e sim, pela convivência diária.

Cada vez mais iremos atuar em cargos estratégicos, que envolvem gestão de pessoas e de conhecimento, e nesse novo cenário, o trabalho colaborativo e multidisciplinar passa a ter grande importância para adoção de novas tecnologias e processos. E aí entra a flexibilidade, o autoconhecimento, a resiliência e tudo que nos permite trabalhar de forma diferente do que estamos acostumados.

E não é a toa que a frase do Peter Drucker se tornou mantra: a cultura come sim a estratégia no café da manhã, quando os profissionais de uma empresa não tem a disponibilidade de trabalhar “fora da caixa”. E entenda a disponibilidade aqui como a atitude e a vontade de pensar novas formas de fazer algo, ou seja, de inovar!

A evolução é individual, mas ela acontece quando estamos todos juntos

O Google realizou um estudo interno que analisou as equipes para determinar os grupos mais inovadores e produtivos da empresa. Eles descobriram que suas melhores equipes não eram as cheias dos principais cientistas. Em vez disso, suas equipes com melhor desempenho eram grupos interdisciplinares que se beneficiaram muito de funcionários que trouxeram fortes habilidades sociais ao processo colaborativo.

Uma outra pesquisa realizada com os CEOs da Fortune 500 pelo Stanford Research Institute International, constatou que 75% do sucesso no trabalho a longo prazo depende das habilidades das pessoas, enquanto apenas 25% do conhecimento técnico.

Mas Taynar, se eu não me especializar, eu vou ficar para trás!”. Eu não estou falando que o conhecimento técnico não é importante. Ele é, e muito! O mercado precisa, assim como os clientes e os negócios de profissionais que entendam do que fazem, de forma profunda e analítica.

Se no seu dia a dia profissional, você identificou algum gap que precisa melhorar, ou olhando para onde você deseja estar em determinado tempo, você sabe que precisa ter algum tipo de certificação, invista, estude, consuma e aprenda!

Mas, isso não é tudo. A forma como utilizamos essas habilidades dentro do contexto em que estamos no momento é mais importante. Precisamos olhar para a gente e pra gente. 

A minha singela moeda de contribuição para 2020 é que nós, seres humanos, precisamos olhar mais para o nosso desenvolvimento pessoal e o impacto dele. 

  • Eu estou contribuindo para tornar o meu entorno melhor? 
  • Como eu posso impactar positivamente as pessoas que estão ao meu redor? 
  • Qual o legado que estou deixando para quem convive comigo? 

Como eu coloquei no intertítulo, o caminho para a evolução individual é único, mas se estamos todos tentando evoluir sozinhos, estamos todos nesse processo juntos.

Não seja o profissional do futuro. Seja a pessoa que faz a diferença para os seus pares e para a sociedade.

  • Quem escreveu: Oi, eu sou a Taynar, uma jornalista que começou trabalhando em Televisão, migrou para projetos audiovisuais e se apaixonou pelo Marketing, Desenvolvimento e Transformação. Questionadora, desastrada e tempestuosa, faço tudo com paixão e entrega.
Taynar Costa
Taynar Costa
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