gestão do amanhã

Grandes empresas que foram engolidas pelo futuro e o que isso tem a ver com o seu negócio

Já diria nosso querido Belchior, “o passado é uma roupa que não nos serve mais”. Já o futuro, esse é para os fortes. Quem não consegue antecipar alguns movimentos na gestão, ter um olhar crítico sobre o presente e ser capaz de se adaptar rapidamente acaba sendo engolido por um mercado movido por mudanças. 

No livro Gestão do Amanhã, Sandro Magaldi e José Salibi Neto refletem sobre esses sinais dos tempos e nos trazem exemplos de grandes corporações que sucumbiram ao se distraírem com o próprio sucesso. 

Quer saber como lidar com o futuro do seu negócio? Continue com a gente! 

 

Leia também > Afinal, o que esperar do amanhã dentro de nossas corporações?

 

Você sabe o que Kodak, Sony, Blockbuster e Nokia têm em comum? 

Elas não conseguiram entender a nova dinâmica do mercado e dos negócios. Se distraíram com o próprio sucesso, não conseguiram fazer uma leitura correta do contexto onde estavam e perderam grandes oportunidades. O mais irônico é que elas tinham todas as condições de sair na frente.

Aí vão exemplos emblemáticos de grandes corporações que foram disruptivas no passado, mas conservadoras demais para o futuro:

  • Em 1975, a Kodak desenvolveu o primeiro projeto de câmera digital. Não levou o projeto adiante e em 2012 declarou falência perdendo mercado para empresas muito mais jovens, como a Apple.
  • Nos anos 80, a gigante Sony revolucionou o mercado fonográfico com o seu Walkman. Sua decadência nas décadas seguintes está completamente relacionada ao advento do iPod, que ampliou o acesso à música portátil digital.
  • Também na década de 80, o surgimento da Blockbuster foi quase sinônimo do surgimento do mercado de locação de filmes em VHS. Nos anos 2000, a mesma Blockbuster recusou a compra de uma nova empresa que criou um canal de vendas que entregava vídeos via postal. A novata era a Netflix, oferecida na época por 50 milhões de dólares. Em 2013, a Blockbuster fechou suas últimas lojas.
  • Em 2007, junto com Samsung, Motorola, Sony Ericsson e LG, a Nokia era uma das 5 maiores fabricantes de celulares do mundo – quem aí lembra do famoso Nokia azul que marcou a adolescência nos anos 2000?. Apenas 8 anos depois, o iPhone liderava 92% dos lucros globais do setor. 

Sinais dos tempos…

Exemplos tão representativos como esses nos levam à reflexão sobre a necessidade de mudar, afinal, nem mesmo as gigantes têm seus mercados garantidos para sempre. A palavra de ordem é adaptação. 

No livro, os autores chamam a atenção para dados que nos mostram que o futuro não é mais como era antigamente:

  • Em 2020, mais de ¾ das maiores empresas do mundo eram empresas que não existiam ou não eram conhecidas há 2 anos
  • Expectativa de vida das empresas atualmente: 15 anos
  • 50% do conteúdo adquirido no 1º ano de uma faculdade fica obsoleto no 4º ano
  • 45% das tarefas executadas por seres humanos hoje serão automatizadas no futuro

Ou seja, não adianta olhar para o futuro mirando em um modelo de negócios consolidado no passado. As pessoas mudam, o mercado muda, sua entrega de valor precisa mudar também. 

 

Os líderes e as empresas precisam aprender a desaprender. Como? 

Em Gestão do Amanhã, Magaldi e Salibi chamam a atenção para algo que pode ser a chave para essa necessidade brutal de mudança. As lideranças precisam desapegar do que já funcionou um dia e aprender a desaprender. 

O movimento doloroso de sair da zona de conforto passa por caminhos que colocam em cheque o que sabíamos sobre liderança e gestão nas décadas passadas. Os líderes do futuro precisam: 

  • Aceitar correr mais riscos: é assim que vão poder aproveitar oportunidades que muitos ainda não viram e transformá-las em grandes propulsores dos seus negócios.
  • Se permitir errar e fracassar – e aprender com isso: a tentativa e erro impulsionam mudanças constantes, que podem se transformar em grandes resultados no futuro. No lugar do medo de errar, a coragem para errar, aprender e transformar o aprendizado em mudança.
  • Procurar por formas de capacitação não formais: o que foi aprendido nas graduações não precisa ser descartado, mas é preciso entender que a atualização acontece em uma velocidade muito maior do que acontecia no passado e as instituições formais não dão conta de acompanhar essa rapidez. 

 

O consumidor agora está no centro da gestão

Enquanto grandes corporações, como as mencionadas Nokia, Kodak, Sony e Blockbuster não conseguiram se antecipar às mudanças que aconteciam em mercados onde já eram líderes, novas empresas como Google, Facebook, Amazon e Netflix e várias outras fizeram o que tinha que ser feito. 

O consumidor agora está no centro. Essas empresas entenderam os anseios das novas gerações de consumidores: a palavra é desconstrução. De modelos de gestão, sistemas de produção, consumo, logística e distribuição. 

O que fazer para sobreviver nesse admirável mundo novo?

Os modelos de liderança na 4ª Revolução Industrial são outros. De acordo com a revista Forbes, o líder do futuro precisa reunir 10 pilares:

  1. Honestidade
  2. Saber delegar
  3. Comunicação
  4. Confiança
  5. Compromisso
  6. Atitude positiva
  7. Criatividade
  8. Intuição
  9. Capacidade de inspirar
  10. Sintonia com as pessoas 

E para quem sentiu falta desse item na lista, a inteligência emocional deve ser a base de tudo para a atuação dos novos líderes. 

A gestão está sendo levada para um novo paradigma e os modelos clássicos dão lugar a novas prioridades. Se antes o foco era na oferta, agora ele está no crescimento da demanda. Se tradicionalmente se dava mais valor à posse de ativos, agora nosso objetivo está na construção de comunidades. Se no modelo antigo, a premissa número 1 era otimizar custos, agora queremos incentivar as interações em nossas redes de relacionamentos. 

Tantas mudanças nos levam à consolidação de novos modelos de gestão, liderança e até mesmo educação. Por mais contraditório que isso pareça, de acordo com os gurus da gestão, as empresas que querem sobreviver precisam considerar se autodestruírem para que a partir disso possam renascer e conquistar os novos mercados. A outra opção é permitir que outras empresas façam isso no lugar da sua.  

 

Já leu o Gestão do Amanhã? Compartilhe com a gente as lições e reflexões que o livro despertou em você!

 

Camila Prochnow
Camila Prochnow
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