Como fugir do clichê na hora de escrever

Como fugir do clichê na hora de escrever?

Já começo esse texto fazendo a mea culpa para esse título que tem uma quase rima, juro que não foi proposital. A rima acaba sendo um recurso que, se mal usado, dá essa impressão pobre ao texto. Por outro lado, quando bem aplicado, proporciona uma bossa diferente ao conteúdo e desperta o interesse do leitor. 

Mas, então, é isso? Um texto para falar sobre rimas? Não, não, caro leitor… esse é um texto para falar que o clichê e as escolhas óbvias usados na escrita e na redação publicitária podem funcionar muito bem. Ou você pensa que todos os comerciais publicitários de sucesso saíram de grandes ideias completamente inéditas e inovadoras? Não, se olhar bem boa parte deles recorre a esse recurso tão (injustamente) malfalado. 

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Vamos falar do clichê na redação publicitária? 

“Ai, isso é tão clichê, né?!”. É comum às vezes a gente sair por aí falando coisas de uma forma meio irresponsável, sem prestar realmente atenção naquelas palavras, deixando elas vazias. Algumas palavras também, de tão usadas e de forma inadequada, caem numa vala comum de falta de significado – particularmente, é o que eu acho que aconteceu com mindset em 2019, uma palavra ótima, mas que virou tipo aquela música que de tanto tocar no rádio a gente deixa de gostar, enjoa. 

Eu já soltei o “isso é tão clichê” muitas vezes e em nenhuma delas eu parei pra pensar no real significado de clichê. Então, vamos lá. 

Clichê 

De acordo com o dicionário Priberam, clichê é o “molde ou vulgaridade que a cada passo se repete com as mesmas palavras”, como sinônimos aparecem chavão e lugar-comum. Já na escrita, o clichê ganha o status de recurso linguístico, que dá mais estilo e inteligência ao texto, tornando as ideias mais conectadas. 

“O clichê é um recurso simples, mas muito utilizado na nossa linguagem do dia a dia – e isso faz com que seja tão interessante e rico de se utilizar. Na redação publicitária, os clichês são usados para aproveitar frases feitas de forma inesperada, quebrando a linearidade do receptor e gerando sensações de riso, surpresa, entre outras.” (Ebook Escreva – como usar técnicas de redação publicitária para escrever melhor). 

Como usar esse recurso na hora de produzir conteúdo? 

Se você voltar ao título desse texto vai ver que ele cumpre quase a mesma função que o clichê quando é aplicado em algum conteúdo ou peça publicitária. A gente chama a sua atenção por se tratar de uma postura supostamente ruim (afinal, “eu não quero ser um redator clichê”), mas agora te revela que não, usar o clichê na redação não pega mal. 

O uso desse recurso tem justamente esse efeito, a surpresa. Você fisga a atenção do leitor para aquilo que é familiar para ele, e no final oferece um desfecho surpreendente. 

Olha só esses exemplos: 

Clichê Redação Publicitária

Agência WMcCANN

O clichê nesse caso acaba sendo um ponto de partida para a criação de uma peça criativa. Obviamente o efeito não seria o mesmo caso fosse usada a frase original “é tudo farinha do mesmo saco”. Aí sim seria o óbvio. 

 

Clichê na Redação Publicitária

Agência Fallon PMA

Esse outro exemplo é de uma peça usada para divulgar uma nova agência publicitária. Por uma questão de princípio, é uma frase super batida e, por isso, clichê. Normalmente ela é usada de uma forma mais séria, pois se relaciona à moral, aos princípios de cada pessoa.  Nesse caso, de forma bem humorada, o princípio foi usada de forma literal, se referindo ao princípio da agência mesmo. 

Interessante, né? Bom, o clichê é só um dos recursos que temos à disposição na hora de escrever. Além dele, há vários outros, como hipérbole, metáfora, metalinguagem. 

Se você quer ser um redator criativo e com um bom repertório, além de consumir muito conteúdo, procure também conhecer melhor esses recursos e aplique eles em seus próximos conteúdos. Se quiser trocar uma ideia, vou ficar feliz em conversar com você 😉 Até mais! 

 

  • Quem escreveu: Camila Prochnow – Jornalista de formação e coração, e head of Content na DIWE. Fã das palavras e de música e do que elas podem fazer juntas 🙂
Camila Prochnow
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