Planejamento Estratégico

Como criar um Planejamento de Marketing estratégico e orientado a resultados

Caio Saccomani

Como criar um planejamento de Marketing que realmente ajude o time a tomar decisões? Essa parece uma pergunta simples, mas, na prática, construir um bom planejamento exige muito mais do que definir campanhas, escolher canais e distribuir tarefas. 

É preciso entender o momento do negócio, identificar onde o Marketing pode gerar maior impacto, transformar essas prioridades em uma estratégia clara e criar critérios para saber, ao longo da execução, o que está funcionando e o que precisa ser ajustado.

Um bom Planejamento de Marketing precisa dar direção, mas também deve ser capaz de acompanhar o negócio. 

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Afinal, não faz muito sentido construir um plano para 12 meses se a equipe só vai descobrir no fim do ano que algumas das decisões tomadas no início já não faziam mais sentido.

E essa dificuldade de transformar estratégia em algo realmente acionável está longe de ser exclusiva de algumas empresas. 

Uma pesquisa de 2025 do Gartner com CMOs mostrou que 94% consideram desafiador transformar as diretrizes estratégicas da empresa em planos de Marketing acionáveis.

O número ajuda a colocar o problema em perspectiva: muitas vezes, a dificuldade não está apenas em pensar estrategicamente, mas também em fazer essa estratégia chegar à operação de uma forma clara o suficiente para orientar decisões e prioridades. 

Na prática, empresas que conseguem fazer essa passagem de maneira assertiva saem na frente quando pensamos em um Planejamento de Marketing que deixa de ser um documento e se torna uma ferramenta de gestão.

O que é um Planejamento de Marketing?

Antes de pensar em como criar um Planejamento de Marketing, vale esclarecer esse conceito que vai muito além de um calendário de ações de Marketing. 

Um calendário pode dizer que haverá uma campanha em março, uma série de conteúdos em abril, uma ação de CRM em maio e um evento no segundo semestre. 

Mas ele não necessariamente explica por que essas iniciativas foram escolhidas, qual problema pretendem resolver ou como saberemos se deram certo.

Um Planejamento de Marketing Estratégico deveria conectar algumas perguntas fundamentais:

  • Onde o negócio está hoje?
  • Onde precisa chegar?
  • Quais problemas precisam ser resolvidos?
  • Quais públicos são prioritários?
  • Onde o Marketing pode gerar maior impacto?
  • Quais iniciativas fazem sentido para chegar lá?
  • Como vamos medir o avanço?
  • Quando precisamos revisar nossas escolhas?

Essa conexão com o negócio está cada vez mais presente na agenda dos líderes de Marketing. 

No Marketing Shots, realizado pela Faster em parceria com a Exame, 86% dos executivos C-level do Brasil apontaram o crescimento do negócio como prioridade, tendo geração de leads e aumento das vendas entre os principais focos.

Essa postura reforça uma ideia simples: se o objetivo do negócio está no centro das prioridades da liderança, o Planejamento de Marketing também precisa partir daí — e não dos canais ou formatos que devem ser usados. 

Essa visão mais ampla é importante porque o Planejamento precisa conectar estratégia, execução e resultado.


Estratégia, iniciativa, canal e ação não são a mesma coisa

Outra distinção importante para quem quer saber como criar Planejamento de Marketing é entender os diferentes níveis de decisão.

Um objetivo indica onde queremos chegar.

A estratégia define como pretendemos avançar nessa direção.

As iniciativas transformam essa estratégia em frentes de trabalho.

Os canais são os meios pelos quais essas iniciativas podem acontecer.

E as ações são aquilo que efetivamente será executado.


Planejamento anual: direção de longo prazo, revisão no caminho

É natural que o planejamento de Marketing seja construído com uma visão anual. Orçamento, metas, estrutura de equipe e grandes prioridades precisam de horizonte suficiente para orientar decisões mais estruturais. 

Uma pesquisa do Gartner, inclusive, indica que CMOs que planejam para 18 meses ou mais têm 1,5 vez mais probabilidade de relatar alto desempenho de Marketing e negócios.

O problema começa quando essa visão de longo prazo se transforma em uma lista fixa de tudo o que o Marketing deverá executar ao longo do ano.

Uma campanha pode entregar um resultado diferente do esperado, uma prioridade comercial pode ganhar urgência, um concorrente pode mudar de posicionamento ou uma iniciativa pode se mostrar muito mais complexa do que parecia no planejamento.

A resposta, nesse caso, não precisa ser abandonar o plano e começar tudo de novo. Também não precisa insistir em uma iniciativa só porque ela estava prevista.

É importante ter em mente que o caminho mais interessante está em combinar as duas frentes: uma direção mais longa e ciclos mais curtos de decisão e priorização.

O planejamento anual ajuda a responder para onde estamos indo. Os ciclos menores ajudam a decidir onde faz mais sentido concentrar esforço agora, considerando os resultados, os aprendizados e as mudanças de contexto que surgiram no caminho.

Ao final de cada período de ciclo de revisão de um planejamento, o time pode voltar a três perguntas:

O que planejamos?
O que realmente aconteceu?
O que precisamos mudar a partir do que aprendemos?

A partir dessas respostas, algumas iniciativas seguem como estão, outras são ajustadas, novas podem entrar e algumas deixam de ser prioridade.


Quais indicadores acompanhar no Planejamento de Marketing?

Um bom planejamento não precisa acompanhar dezenas de métricas. O mais importante é escolher indicadores estratégicos que ajudem a entender se as prioridades estão avançando, onde existe um problema e que decisão precisa ser tomada a seguir.

Os indicadores podem variar de acordo com o modelo de negócio, mas alguns aparecem com frequência:

Receita atribuída ao Marketing
Mostra quanto de receita pode ser relacionado às iniciativas de Marketing, de acordo com o modelo de atribuição adotado. É um dos indicadores mais importantes para conectar Marketing ao negócio.

ROI de Marketing
Relaciona o retorno obtido ao investimento realizado. Ajuda a entender se os recursos colocados em uma iniciativa estão gerando retorno suficiente para justificar o investimento.

CAC (Custo de Aquisição de Cliente)
Indica quanto a empresa investe, em média, para conquistar cada novo cliente. É especialmente útil quando analisado em conjunto com receita, margem e valor do cliente.

Pipeline gerado ou influenciado
Mostra o volume de oportunidades comerciais que teve participação do Marketing. É um indicador especialmente relevante em operações B2B, nas quais o ciclo entre primeira interação e venda pode ser longo.

Taxa de conversão
Mostra quantas pessoas avançam de uma etapa para outra dentro do funil. Ajuda a identificar onde existem gargalos entre atração, geração de demanda, oportunidade e venda.

Custo por lead ou por oportunidade
Ajuda a entender quanto está sendo necessário investir para gerar novos contatos ou oportunidades comerciais. Sozinho, porém, não diz se esses leads têm qualidade ou se geram receita.

Indicadores de marca e demanda
Dependendo do objetivo do planejamento, métricas como tráfego orgânico, buscas pela marca, alcance qualificado ou participação nas conversas do mercado podem ajudar a acompanhar a construção de demanda no médio e longo prazo.

Indicadores de execução
São métricas como iniciativas entregues, campanhas lançadas, prazo de execução ou aderência ao calendário. Elas ajudam a entender se o planejamento está sendo colocado em prática, mas não devem ser confundidas com indicadores de resultado.


Como criar um Planejamento de Marketing 

Criar um planejamento de Marketing não começa pela escolha dos canais ou pela lista de campanhas que precisam ser lançadas.

O primeiro passo é entender o momento do negócio, definir onde o Marketing precisa gerar impacto e, a partir daí, transformar essas prioridades em uma direção clara para a operação.

Na prática, um bom planejamento precisa conectar objetivos de negócio, prioridades de Marketing, estratégia, iniciativas, indicadores e execução. Quando essas peças ficam soltas, o plano pode até parecer completo, mas dificilmente ajuda o time a decidir onde concentrar esforços.

Depois de entender essa lógica, podemos transformar o processo em um passo a passo.

1. Comece pelo contexto do negócio

Antes de listar campanhas e canais, entenda o momento da empresa, suas prioridades, desafios, mercado e principais oportunidades.

2. Defina os objetivos de Marketing

Transforme as prioridades do negócio em objetivos que possam ser influenciados pelo Marketing e acompanhados por indicadores claros.

3. Identifique os problemas que precisam ser resolvidos

Pergunte o que está impedindo o negócio de chegar ao resultado desejado. Evite partir diretamente para uma solução.

4. Defina as estratégias

Escolha quais caminhos fazem sentido para enfrentar esses problemas e alcançar os objetivos.

5. Priorize as iniciativas

Avalie impacto, esforço, conexão com a estratégia e potencial de aprendizado. Não tente colocar todas as boas ideias no plano.

6. Escolha canais e ações

Só depois das decisões anteriores faz sentido definir campanhas, conteúdos, mídia, CRM, eventos e outras ações.

7. Defina indicadores

Estabeleça como será possível saber se cada prioridade está avançando e quais sinais precisam provocar uma mudança de rota.

8. Organize a execução em ciclos

Mantenha a visão de longo prazo, mas desdobre a execução em períodos menores, com prioridades claras e espaço para revisão.

9. Crie um ritual de revisão

Ao final de cada ciclo, analise resultados, aprendizados e mudanças de contexto antes de definir as próximas prioridades.

Essa estrutura ajuda a evitar um dos problemas mais comuns dos planejamentos de Marketing: começar pela lista de ações e só depois tentar descobrir como elas se conectam ao negócio.

Além disso, há outro ponto importante: um planejamento não precisa prever todos os detalhes de cada iniciativa para ser considerado completo. Ele precisa dar clareza suficiente para orientar as decisões e, ao mesmo tempo, permitir que novas informações sejam incorporadas ao longo do caminho.


Considere o Planejamento de Marketing como um documento em construção 

Um bom Planejamento dá clareza sobre onde queremos chegar, quais são as prioridades e como vamos decidir onde colocar energia. A partir daí, a operação precisa ser capaz de transformar informação em aprendizado e aprendizado em novas decisões.

Por isso, gosto de pensar no Planejamento como um ciclo:

estratégia → execução → resultado → aprendizado → revisão → nova decisão

E então o ciclo começa novamente.

Por fim, saber como criar um planejamento de Marketing significa muito mais do que construir um plano bem organizado. Para quem lidera a área, o desafio é transformar esse planejamento em um instrumento que ajude a alocar orçamento, direcionar o time e fazer escolhas melhores ao longo do ano.

Quem está na cadeira do CMO não precisa estar ciente apenas do que foi planejado, é preciso acompanhar se as prioridades continuam conectadas às necessidades do negócio, se os recursos estão concentrados onde existe maior potencial de retorno e se os resultados estão trazendo aprendizados suficientes para orientar a próxima decisão.

É por isso que um Planejamento de Marketing é realmente validado quando ele sai do plano e começa a ser executado. 

Quando o cenário muda, o resultado não vem como esperado ou uma nova oportunidade aparece, o planejamento precisa ser um instrumento para ajudar a decidir quais são as próximas prioridades. 

Profound Marketing: planejamento conectado à execução

Na DIWE, acreditamos que um planejamento de Marketing precisa continuar evoluindo depois de sair do papel. É por isso que estruturamos o Profound Marketing, uma metodologia proprietária que conecta Discovery, Strategy, Experience, Show, Results e Learnings em um ciclo contínuo.

A proposta é aproximar estratégia, execução, resultados e aprendizados para que as decisões não sejam tomadas de forma isolada — e para que o que acontece na operação ajude a orientar os próximos passos.

Além disso, usamos Inteligência Artificial para potencializar essa metodologia na prática. O Automark OS atua como uma camada tecnológica conectada ao Profound Marketing, apoiando o acompanhamento da operação, a análise de dados e o monitoramento dos resultados ao longo dos ciclos.

Dessa forma, a IA ajuda a identificar mudanças, organizar informações e dar mais visibilidade aos pontos que merecem atenção, enquanto o time de especialistas permanece focado no que exige contexto, estratégia e tomada de decisão.

Profound Marketing + Automark OS conectam metodologia e tecnologia para que o Planejamento de Marketing não termine quando a execução começa — ele continua evoluindo a partir do que acontece na prática.

Quer entender como funciona o Profound Marketing? Conheça a metodologia e veja como ela pode apoiar uma operação de Marketing mais conectada ao negócio.

Veja também: Metodologia Profound Marketing: estratégia digital robusta com resultados reais

Caio Saccomani

Caio Saccomani

CEO

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