Marketing com IA

Marketing com Inteligência Artificial: o que realmente está mudando na operação

Caio Saccomani

A Inteligência Artificial chegou ao Marketing com uma velocidade difícil de ignorar. Basta abrir o LinkedIn, participar de um evento do setor ou conversar com um time de Marketing para perceber que o assunto está em praticamente todos os lugares.

Poucos setores foram diretamente impactados pela popularização da IA generativa quanto o Marketing. Afinal, boa parte do trabalho da área envolve justamente lidar com informação, dados, conteúdo, pesquisa, análise, criatividade e decisões que precisam acontecer em um ritmo cada vez maior.

Quando uma tecnologia passa a conseguir escrever, analisar, resumir, comparar, criar imagens, interpretar dados e até sugerir caminhos estratégicos em poucos segundos, é natural que o impacto seja grande.

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Só que existe uma diferença importante entre usar Inteligência Artificial para fazer algumas tarefas de Marketing mais rapidamente e realmente mudar a forma como uma operação de Marketing funciona explorando ao máximo o potencial dessa tecnologia. 

É sobre essa diferença que, na minha visão, vale a pena falar.

Depois de todo o hype da Inteligência Artificial, começa a surgir uma pergunta muito mais interessante: o que a IA está mudando de verdade na maneira como os times de Marketing trabalham, tomam decisões e geram resultado?

A IA encontrou um terreno fértil no Marketing

A relação entre Marketing e tecnologia não começou agora. Historicamente, ferramentas de CRM, automação, plataformas de mídia, analytics e sistemas de gestão vêm transformando a maneira como as equipes trabalham.

A diferença é que a Inteligência Artificial generativa entrou em uma camada muito mais próxima do trabalho intelectual.

Antes, uma ferramenta ajudava o profissional a organizar uma informação ou automatizar uma tarefa que já estava previamente definida. Agora, ela também consegue participar de etapas que envolvem interpretação, geração de ideias, produção de conteúdo e análise.

Isso explica porque a sensação de ruptura foi tão forte. Uma pessoa que antes gastava horas estruturando uma pesquisa, preparando um primeiro rascunho ou consolidando informações pode fazer essa primeira etapa em uma fração do tempo.

Ao mesmo tempo, existe um risco nessa mudança: confundir capacidade de produção com capacidade de gerar resultado.

É justamente por isso que falar em Marketing com Inteligência Artificial não deveria ser apenas uma conversa sobre produtividade e precisa avançar para a forma como a tecnologia pode melhorar a própria operação.

E os números ajudam a mostrar por que essa discussão está ficando mais urgente. Segundo dados recentes da HubSpot, 64,5% dos profissionais de Marketing dizem que suas empresas já usam IA de forma moderada ou extensiva. Ao mesmo tempo, 38% afirmam se sentir sobrecarregados com a implementação dessas ferramentas.

Vemos um contraste interessante: a questão já não parece ser convencer o Marketing de que a IA existe ou que pode ser útil já que a tecnologia já entrou na rotina de boa parte das equipes. O desafio agora é entender como incorporá-la sem simplesmente criar mais uma camada de ferramentas, processos e tarefas para administrar.

É a partir desse cenário que podemos começar a discutir a diferença entre experimentar IA e transformar uma operação com ela.

O maior ganho além da produtividade

Existe uma característica bastante comum nas operações de Marketing: o aprendizado costuma chegar tarde.

A equipe planeja uma campanha, coloca a ação no ar, acompanha os resultados e, depois de algumas semanas, reúne os dados para entender o que aconteceu. Só então começa a discussão sobre o que funcionou, o que não funcionou e o que deveria ser feito diferente.

Até aí, o processo parece normal. O problema é que, quando esse aprendizado finalmente chega, a próxima campanha muitas vezes já está em produção ou o planejamento já está definido.

É nesse intervalo que considerar uma operação de Marketing com Inteligência Artificial pode fazer uma diferença importante.

Ao conseguir processar grandes volumes de informação com mais rapidez, a tecnologia pode ajudar o time a identificar mudanças de comportamento, encontrar padrões e perceber desvios de performance enquanto ainda existe tempo para agir sobre eles.

Essa tratativa muda a dinâmica da operação pois em vez de esperar o encerramento de uma campanha para entender o que aconteceu, parte da análise pode acontecer durante o próprio ciclo, alimentando ajustes e novas decisões no caminho.

É claro que encontrar um padrão não significa saber automaticamente o que fazer com ele. Mas, quando a informação chega mais rápido e consegue influenciar a decisão antes que a oportunidade passe, o Marketing ganha algo que é difícil de obter apenas aumentando a capacidade de produção: mais velocidade para aprender e corrigir a rota.

E, em um cenário em que o mercado muda cada vez mais rápido, isso pode ser tão valioso quanto produzir mais.


Onde a IA pode gerar ganhos reais para o Marketing?

Não acredito que a resposta seja simplesmente inserir Inteligência Artificial em todas as etapas da operação, em muitos casos isso só adicionaria complexidade ao processo e seria muito mais um modismo do que uma escolha estratégica. 

Portanto, faz mais sentido começar a pensar em incorporar a Inteligência Artificial no Marketing pelos pontos em que existe um problema concreto e em que a tecnologia pode ajudar a resolvê-lo.

Além disso, vale considerar que existe uma distância considerável entre experimentar uma tecnologia e conseguir provar que ela está gerando valor. 

O relatório IA e tendências digitais para 2026 da Adobe for Business que ouviu executivos e profissionais de Marketing e experiência do cliente mostra isso de forma bastante clara: apenas 12% das organizações pesquisadas já tinham soluções de IA generativa funcionando e com ROI comprovado. 

Outros 27% estavam em estágio de piloto, enquanto 27% já haviam colocado soluções em funcionamento, mas ainda avaliavam sua efetividade.

Ou seja, existe um movimento expressivo, mas ainda relativamente pouca evidência de impacto comprovado. 

É por essa razão que a pergunta mais estratégica que os gestores de Marketing deveriam se preocupar em responder é menos “onde podemos colocar IA?” e mais “qual problema da nossa operação vale a pena resolver com IA e como vamos saber se deu certo?”.

Produção e adaptação de conteúdo

Aqui, provavelmente, está a aplicação mais conhecida no Marketing já que o boom da Inteligência Artificial atingiu em cheio a produção de conteúdo. Com apenas um comando simples o texto estava pronto em segundos. 

A IA pode ajudar a estruturar pesquisas, criar primeiros rascunhos, adaptar materiais para diferentes canais, encontrar variações de uma mensagem e acelerar tarefas que não precisam começar necessariamente do zero.

Na prática, quanto mais fácil fica produzir, mais importante passa a ser ter alguém capaz de definir o que deve ser produzido, para quem, por quê e com qual objetivo.

Análise de dados

Outro campo bastante promissor está na análise de um grande volume de informações que levaria um tempo muito maior para ser estudada sem o uso da tecnologia. 

As operações de Marketing acumulam uma quantidade grande de dados, mas nem sempre conseguem transformá-los em decisões na mesma velocidade.

Nesse contexto, a IA no Marketing pode ajudar a consolidar dados, encontrar padrões, comparar períodos, identificar desvios e acelerar análises que antes dependiam de um trabalho majoritariamente manual.

Automação de tarefas operacionais

Também existe uma oportunidade concreta em tudo aquilo que o time repete semanalmente sem que isso necessariamente exija uma decisão humana.

Consolidar informações de diferentes plataformas, organizar determinados dados, atualizar relatórios ou acionar uma etapa de um fluxo a partir de um determinado comportamento são exemplos de tarefas que podem ser automatizadas com o uso da Inteligência Artificial no Marketing.

Nesse contexto, o grande valor desse tipo de automação está no tempo que o time ganha: se o profissional deixa de atualizar planilhas manualmente para conseguir analisar os resultados e discutir uma nova hipótese com o time, houve uma mudança de qualidade na operação.


O Marketing com Inteligência Artificial não elimina a estratégia

Durante muito tempo, uma parte significativa do esforço de Marketing estava concentrada em conseguir executar. 

Havia um limite claro de tempo e capacidade: quantas campanhas o time conseguia produzir, quantos conteúdos conseguia criar, quantas análises conseguia fazer.

À medida que a tecnologia reduz esses limites, as questões são outras:

Se conseguimos produzir mais, o que vale a pena produzir?

Se conseguimos analisar mais dados, quais dados realmente importam?

Se conseguimos testar mais hipóteses, quais hipóteses merecem ser testadas?

Se conseguimos colocar uma campanha no ar mais rápido, estamos escolhendo a campanha certa para colocar no ar?

É por isso que não vejo a Inteligência Artificial como uma ameaça à estratégia de Marketing, pelo contrário: quanto mais barata e rápida fica a execução, mais importante se torna saber onde colocar energia, dinheiro e atenção.


O que muda quando a IA entra no ciclo de uma campanha?

Quando a IA entra no ciclo de uma campanha, a principal mudança não está apenas na velocidade de produção, o que realmente pode mudar é a forma como estratégia, execução e aprendizado se conectam ao longo do processo

Em vez de esperar a campanha terminar para analisar os resultados e pensar no próximo passo, a tecnologia permite acompanhar sinais durante a execução, cruzar informações com mais rapidez e levar esses aprendizados de volta para a decisão. 

Na prática, o ciclo deixa de ser uma sequência de etapas isoladas e passa a funcionar de maneira mais contínua.

Em uma operação tradicional, podemos imaginar um fluxo mais ou menos assim:

planejamento → produção → aprovação → publicação → análise

O aprendizado costuma ficar concentrado no final desse processo.

Uma operação de Marketing que incorpora IA de maneira mais profunda pode aproximar essas etapas:

dados → hipótese → estratégia → execução → análise → aprendizado → nova decisão

A diferença está tanto na execução de cada etapa mais rapidamente, como também na redução do intervalo entre uma etapa e outra.

Na DIWE, essa lógica aparece na combinação entre a metodologia Profound Marketing e o Automark OS, uma abordagem que busca justamente reduzir o tempo entre estratégia e execução, trabalhando com ciclos mais curtos e análise contínua.

O verdadeiro ganho aparece quando a operação consegue testar, aprender e ajustar mais rapidamente.

O futuro do Marketing com Inteligência Artificial

O Marketing com Inteligência Artificial é uma realidade cada vez mais comum e, justamente por isso, deixará de ser um diferencial por si só.

O diferencial estará em como essa tecnologia foi incorporada à operação.

Uma empresa pode usá-la apenas para produzir conteúdo mais rapidamente. Outra pode utilizá-la para automatizar tarefas, interpretar dados, testar hipóteses e aproximar estratégia e execução.

Portanto, é interessante pensar que o futuro do Marketing com Inteligência Artificial não será definido pela quantidade de ferramentas que uma empresa consegue incorporar, mas pela qualidade das mudanças que consegue fazer na própria operação. 

Conforme a tecnologia torna a produção, a análise e a execução mais rápidas, o diferencial tende a estar cada vez mais na capacidade de definir prioridades, interpretar contexto e tomar boas decisões.

Isso também significa que o papel do profissional de Marketing se redefine, em vez de concentrar tanto tempo em tarefas operacionais, o time pode dedicar mais energia ao que realmente exige repertório, julgamento e visão de negócio. 

Para quem atua na área não se trata apenas de aprender a usar novas ferramentas, mas de entender onde a tecnologia pode ampliar sua capacidade e onde a decisão humana continua sendo indispensável.

A discussão, portanto, começa a não ser “como usar IA?” e passa a considerar como redesenhar a operação de Marketing para aproveitar melhor o que a tecnologia consegue fazer.

Nesse cenário, a IA deixa de ser apenas uma ferramenta de produtividade e passa a fazer parte de uma operação mais integrada, na qual dados, execução e aprendizado circulam com mais velocidade. 

E, quanto mais a tecnologia evolui, mais valor passa a existir naquilo que continua dependendo de contexto, repertório, julgamento e visão de negócio.

O futuro do Marketing com Inteligência Artificial não está em substituir pessoas por tecnologia, mas em combinar as duas frentes de uma forma que permita ao time trabalhar melhor, decidir mais rápido e concentrar energia no que realmente pode gerar resultado.

Caio Saccomani

Caio Saccomani

CEO

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